domingo, 25 de outubro de 2009

Dom Hélder Câmara o santo rebelde






Hoje fui ao cinema.


Hoje me emocionei muito.


Hoje revi uma personalidade que há muito tempo me inspira respeito... um respeito profundo. Um homem de coragem, que, apesar de estar fazendo 100 anos de seu nascimento e 10 de sua morte, mantém-se vivo, fortemente vivo pelo exemplo, pela palavra forte, atual, corajosa. Uma inspiração, sua vida é uma inspiração pura e grandiosa para muitos. Seus amigos se emocionam e choram sua falta até hoje. Um homem que se tornou o que foi porque realmente deixou que o Cristo vivesse plenamente em seu espírito indômito, em sua palavra de profeta.


Dom Hélder Câmara a palavra e a ação unidas pelos homens.



Loucura Sagrada (Dom Helder Câmara)

"Sonhei que o Papa enlouquecia
E ele mesmo ateava fogo ao Vaticano
E à Basílica de São Pedro.
Loucura sagrada!
Porque Deus atiçava o fogo que os
Bombeiros, em vão, tentavam extinguir.
O Papa, louco, saia pelas ruas de Roma
Dizendo adeus aos embaixadores
Credenciados junto a ele
Jogando a Tiara ao tibre.
Espalhando pelos pobres, todos,
O dinheiro do banco do Vaticano.
Que vergonha para os cristãos!
Para que um Papa viva o Evangelho
Temos que imaginá-lo em plena loucura"

terça-feira, 15 de setembro de 2009

VELHA

Outra noite sonhei. Vi no sonho a mim mesma. Velha. Velha rezadeira. Com ramo de arruda na mão. Rezadeira morena, franzina. De olhos pequenos, brilho misterioso. Eu rezei em mim mesma. Passei os ramos de arruda por sobre meu corpo enquanto falava com o mistério. Ao final, olhei pra mim e falei: “Minha filha, o nó nas suas costas vai passar quando desfizer os nós do coração.” Elas sabem por que acreditam. Eu acredito.

VIAGENS

VIAGENS 5

Casa de nono e nona. Outro mundo. Outro cheiro. Outros sons. Outras falas. Sei que tenho uma afinidade grande com ele. Apesar de nunca tê-lo conhecido. Coisa da morenice siciliana. E dos silêncios. Era calado. Soturno. Mas eu sei. Era doce. Internamente doce. Ele me olha. Vela por mim. A sanfona vermelha pendurada na parede do quarto. Quando ele se foi, ninguém se lembrou dela. A sanfona calou antes dele se ir. A mesa posta para o café, imediatamente após o almoço. Cheiro de schimier e pão. Noites úmidas de sapos e grilos. Luz fraca e amarelada. E a reza murmurada da nona com seu terço. Eu sei que ele se lembra de mim. Era uma casa que eu ainda não sei definir em palavras os sentimentos que me causa. ???

REZA

Sou uma rezadeira. Uma rezadeira que ainda não descobriu sua reza. Conheci várias. Muitas. Minha mãe sempre me levou a rezadeiras. Elas detêm o mistério. O mistério da fé. Por que elas acreditam. Não são místicas. É outra coisa. Coisa diferente. Elas rezam porque sabem. Funciona porque acreditam. Simples. Sabem. Acreditam. As palavras murmuradas, rápidas, a conversa com o mistério, com o santificado, numa prosa íntima, sem intermediários. Um dia soube que publicaram um livro, pequenino, que tinha uma coletânea das rezas das rezadeiras do Brasil. Eu o desejei. Procurei. Pesquisei. Ainda não o encontrei. Mas sei que as tenho, as rezas, latentes, dentro de mim. Tenho uma velha rezadeira, benzedeira, em mim que olha e enxerga as mazelas, e as cura por que sabe. Já me vi velhinha, forte, rezando, os olhos que enxergam além. E que sabe o mistério porque acredita.

VELHO

Uma vez me vi. Eu era um velho. Tinha os cabelos longos. Barba. Corpo forte. O vento frio passava por mim lá no alto do rochedo. Era sozinho. E uma infinita tristeza estava comigo. Mas estava em paz. Eu era um velho que tinha vivido muitas coisas, tinha visto muitas coisas. Por isto a tristeza. Eu sabia que ainda tinha muito por vir. E já estava cansado. Eu olhava. O nada. O que ainda não aconteceu, mas que já aconteceu tantas vezes. Eu era de outras terras. Longe. Eu não pertencia a nada, a nenhum lugar. Eu sabia que eu viajava. Viajava pela vida que era. Eu tenho o velho aqui dentro. Meus olhos são os olhos dele que já viram muito. Mas ainda me estarreço, como também ainda me deslumbro. Sempre fui a menina antiga, mas sou também o velho que permanece novo. Viagens.

VIAGENS

VIAGENS 4

Não viajo para lugares onde morei. Não gosto. A vida é pra frente. Pra onde ainda vou morar. Sou uma viajante. Ainda não conheço todos os meus lugares. Eles me esperam. Eles estão lá me aguardando pra que eu reconheça a emoção que deixei ali e que ainda vibra.

BRAÇOS

Gosto de árvores. De reparar nelas. Umas são pequenas e fortes. Outras frágeis. Outras imponentes e solitárias. Outras, ainda, são comunitárias. Quando viajo gosto de reparar nas árvores do caminho. Tenho vontade de parar e ficar com algumas por momentos. Simplesmente parar e ficar ali. Só olhando, sentindo. Sabedoria de velhos troncos, de braços que se erguem para os céus desde sempre.

VIAGENS

VIAGENS 3

Viajávamos para a família. Não era deles. Nunca fui. Era da solidão. Do silêncio. Não entendia as relações. Não me identificava. Chegava e observava todo aquele movimento, aquele barulho emocional. O pai esbravejante, a mãe cheia de movimentos. Os filhos tão ligados entre si. Era tudo tão pra fora. Tão mostrado. Eu não. Ao mesmo tempo em que o diferente me chamava a atenção, me aturdia. Eu era pra dentro. Era de dentro. O som, o barulho, a fala é tão sua, vem tão lá de dentro que não pode ser desperdiçada. O avô silencioso chamava minha atenção. Ele ouvia tudo e quase não falava. Só os olhinhos. Espertos, tinham um brilho de quem sabe muito, mas não revelam nada. Ele me impressionava. Ele sabia viver. Levava a vida pra dentro de si. Um meio sorriso de quem debocha da falta do silêncio, do barulho, das vozes que não escutam, não escutam o som. O som da vida que acontece dentro da gente. Ele também não tinha medo. Então, eu gostava quando voltava pra casa.

VIAGENS

VIAGENS 2

Viajávamos para as missões. Ao chegar, a visão daquela igreja tão aos pedaços e imponente me causava estranhamento. Um lugar de índios. A igreja, apesar de estar, de fazer parte daquele lugar, era de um deslocamento lógico no painel paisagístico. Mas os índios... Eles me espiavam das sombras das paredes aos pedaços, eu sentia suas almas solenes a me espiarem nos cantos das pesadas e grossas paredes de pedras. A igreja tinha que estar lá. Para preservar suas almas, afinal elas já tinham sido por demais expostas. Eu sentia. Eu os via com meus olhos de alma. Eu sabia por que eu também era índia. Eu também era dali. Eu sabia do mistério e do segredo. Eu era. Mar de dentro. Planalto gaúcho. Terra de pêlo duro, terra de bugre. Eu era. Era filha daquela terra onde as almas dos índios espiavam nas esquinas das paredes. Eu não tinha medo.

VIAGENS

VIAGENS 1


Viajava, e não gostava quando chegava ao mar. Até hoje sou assim. A sensação é de desamparo. Antes de ver o mar, seu cheiro já me oprimia. Aquela alegria que arrebata a todos quando enxergam o mar, a praia, nunca chegou a mim. Alegria de verão. Não a tive. Eu era uma freqüentadora assídua do mar nos verões. Mas me dava um desamparo, um aperto no peito. Não era meu lugar. O caminho da viagem. Este sim acalentava meu coração. O mar verde da soja. O mar de ouro do trigo. As grutas cavadas na Serra do Rio das Antas. Todas. Todas exerciam um fascínio sobre mim. Com suas santas de olhares tão melancólicos, as águas a escorrerem pelas paredes, como se a montanha chorasse de emoção, na penumbra, no silêncio das gotas de água abençoada. A devoção dos viajantes. Esta me emocionava. O mar da fé. Os mares de dentro. Estes são os meus.

VIOLEIROS

VIOLEIROS

Tenho uma viola dentro de mim. Sinto suas cordas vibrando. E me emociono. Ela toca dentro de mim. Toca. É a vida. Às vezes é leve. Às vezes é lenta. Às vezes é suave. Mas também sabe ser dura, rápida, pesada. E vibra. Vibra como a vida. E me enche os olhos de água, como se o rio que passa quisesse sair, transbordar seu leito, meus contornos. É a vida, que é maior do que eu mesma. Tenho dentro de mim muito mais coisas do que sei. Tudo contido e incontido nas cordas da viola que vibra. Quando ouço a viola tocar, reconheço dentro de mim aquilo tudo que vibra nas suas cordas e ressoa nas minhas cordas... coisas que nem sei. É o sertão, que nos ensina a “ser tão”. Reconheço em seus acordes sentimentos esquecidos, aqueles que me formaram. As cordas vibram e buscam lá dentro da memória o que me movia. O céu negro e estrelado. A cama de campanha de lona verde na calçadinha vermelha nos fundos da casinha azul de janelas amarelas... e eu nela. Deitada. Olhando o céu negro enquanto os outros conversavam com suas vozes baixas, respeitando a beleza da noite e do momento. Aquilo, aquele momento me emocionava. Era eu dentro do céu, dentro da noite. Tinha quanto? Cinco? Seis anos? Mas me sentia tão grande quanto o céu. Quanto a noite. Também quando nos juntávamos todos, os amigos, lavando as paredes azuis da casa para o Natal... Tínhamos que estar limpos. A casa tinha que estar “limpa” para receber o menino santo que iria chegar. Estes sentimentos envolvidos nesta lida eram tão santos, tão magníficos, que me marcaram definitivamente para o menino Jesus. O Natal se realizava ali, naquele momento, dentro de mim. Defini-me um ser de religiosidade nestas lidas, que moveram emoções tão imprescindíveis para minha sobrevivência espiritual... quando estou muito só, afastada de mim mesma... realizo o meu ritual interno de lavar as minhas paredes azuis, me limpo pra receber o menino santo. A casa era dentro de uma vila, que era rodeada de eucaliptos, enormes, imponentes, que se lambiam uns aos outros incessantemente quando o vento os empurrava, ora suave, ora furioso. Os sons que produziam à noite quando suas folhas se namoravam... suas folhas, seus galhos a se roçarem. Minha mãe tinha medo. Eu tinha fascínio. Seu poder, sua majestade me impressionavam. E havia as árvores do quintal... eram onze. Eu me orgulhava por ter um quintal com tantas árvores. Para mim, eu era uma privilegiada por ter onze árvores a me agasalhar todos os dias. Eu podia escolher qual iria me acolher naquele dia. Eu conhecia cada nervura, sabia o jeito de subir em cada uma, conhecia suas peculiaridades. Ninguém subia nelas com mais destreza do que eu. Eram minhas amigas, me recebiam com alegria. Me abrigavam como só amigo faz. Eu era alegre. Mas eu me sabia internamente melancólica. Eu era pequena e me sabia antiga. Pela melancolia me sabia antiga. Pois a melancolia não é senão a saudade, saudade do que ficou pra trás. E o que pode ter ficado pra trás para uma menina de cinco, seis anos apenas? Aquela menina que vive e aparece dentro de mim. E a viola continua vibrando. Canta. Conta. Conta como passamos pela vida. Pois somos nós que passamos por ela. A vida. Ela está aí desde o sempre. Perene. Nem justa, nem injusta. Ela é. Somos nós que passamos por ela. Ora raivosos, ora tímidos, leves, tensos... ensaiando uma moda, uma toada, que vamos escrevendo, em acordes harmoniosos ou desafinados. Vez ou outra, maltratamos o nosso instrumento, arrebentamos uma corda... vem o desatino, a toada fica errada, até que trocamos a corda e a toada é retomada com outra cadência, mais certa, com um toque mais refinado, que respeita mais as nossas cordas internas, acertamos os desacertos, os desafinos. A viola me pegou de jeito porque sei que é o meu instrumento metafísico. Seu som ponteia dentro de mim. Me puxa pra memória e me arremessa para os mesmos sentimentos e emoções que me nasceram nem sei aonde, e se encontram lá no céu negro da minha infância, que sou eu. Mas eu era também o céu azul. Eu deitava na grama verdinha e ficava lá, sob o sol, sentindo o corpo esquentar enquanto os olhos adivinhavam formas nas nuvens que corriam no meu céu azul. O que eu mais gostava era que o céu nunca tinha o mesmo azul. Um dia era um azul quase branco, desbotado. Noutro era um azul bruto, gritante. Assim como eu. Como nós, os homens. Ora desbotados, ora brutos, enérgicos. Eu era pequena, tinha cinco? Seis anos? E me sabia grande. Tão grande como o céu. Como o som da viola que vibra dentro de mim. Os campos de trigo, dourados. Um mar de ouro. O vento produzia ondas neste mar de ouro. E fazia um som, como uma chuva que cai num só ritmo. Uma chuva que faz cantar um mar de ouro. Eu olhava tudo da janela do carro que corria. Olhos de cinco, seis anos se derramando num mar dourado. Que belo. Uma beleza amarela a curvar-se elegante para o vento. Eu me sabia aquele mar dourado, brilhante, mas me sabia também o vento sedutor. O namoro da natureza. Eu vibrava com o espetáculo, estava lá, dentro do movimento, da paixão da natureza, que é. Eu fazia parte. Eu era aquele movimento, aquele som, que se realizavam sem pudor para todos, mas que era eu que via, e me envolvia. A beleza da vida me engolindo. Eu sempre fui sozinha. E muitas vezes, fui desleal, eu saí de mim por aí. Me abandonei. Fui embora de mim. Vaguei, andei, dormi. A viola emudeceu. Levei a vida comigo. A vibração cessou. Mas a história se faz maior. A memória teima em mostrar quem sou, os olhos noite, os olhos azul, os olhos ouro. Então me socorro, volto pra mim e cuido. A toada recomeça, me salva daquilo que não sou.






sexta-feira, 24 de abril de 2009

algumas idas e vindas

- Larvárias: caixa cultural bsb: em 24/04/2009:
interessante... de alguma forma muito indefinida nos toca....

- Filme: Presságio
definitivamente não gosto de filmes catástrofe... um gosto de desesperança...

- A cozinha insólita de Leonardo Da Vinci: caixa cultural bsb: em 19/04/09:
lúdico e divertido...

- Filme: O Visitante
muito bom... incrível a cena quando ele vence a ele mesmo e toca na praça...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

f o t o g r a f i a ! ? ! ? !

isto me aturde, me abre....
emoção




fantasia




labirinto



sonho


visão


mensagem



esperança




todas: ParkeHarrison: The Architect's Brother



terça-feira, 31 de março de 2009

caminhos poéticos da canção

Acabou a série apresentada no ccbb: Brasília "Caminhos Poéticos da Canção". Nesta semana fomos apresentados ao tema através de quatro encontros especiais:

- 26/03 - Fernando Brant e Tavinho Moura - cantaram e encantaram a platéia com o humor mineiro e as belas canções;

- 27/03 - Makely Ka - Kristoff Silva - Cravo Albim - a agudez de Makely, a beleza e o trabalho cênico de Kristoff, a história da canção brasileira com Cravo Albim - boas surpresas na noite;

- 28/03 - Alice Ruiz - Mônica Rodrigues da Costa - Arnaldo Antunes - Alice, um ícone da poesia; Mônica - um arsenal de conhecimento científico; Arnaldo - a excelência... algumas considerações: neste dia, com um nome como o de Arnaldo Antunes, 90% do público que compareceu não acompanhou a série desde o começo e foi lá só para ouvir o Arnaldo cantando... que pena para todos nós... um nome poderoso como o de Alice Ruiz deveria ter sido mais ouvido... o conhecimento de Mônica deveria ter sido mais explorado... as duas não tiveram mais espaço, pois o público estava ansioso... pelo Arnaldo... que deveria ter sido também aproveitado no debate com suas considerações inteligentes, afinal, ele é poeta, escritor, músico, letrista...talvez assim as outras duas convidadas tivessem sido mais respeitadas e ouvidas...

- 29/03 - Luiz Tatit - o encerramento perfeito, com o estudioso inteligente e perfeito em suas considerações....

Uma série de debates e entretenimento que abriu portas e possibilidades para se pensar a cultura no Brasil.

segunda-feira, 23 de março de 2009

palavra (en)cantada

Assisti ao filme Palavra (En)cantada sozinha no cinema no domingo... deixei-me levar pelo encantamento da poesia, da canção brasileira... muito bom, especialmente por tratar de um tema que me interessa muito.

CAMINHOS POÉTICOS DA CANÇÃO

4º dia - Aula show com José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovisky.... simplesmente inesquecível... realmente um show de cultura, de conhecimento, de humor, de respeito ao público, de acessibilidade, de delicadeza... um show para a vida inteira.

quinta-feira, 19 de março de 2009

série nos caminhos poéticos da canção ccbb brasília

1º dia 19/03/09: Luiz Melodia - Pura Melodia - Sem Palavras.... o cara é.... o cara sabe

Obs.: mediação Patrícia Palumbo - irretocável - aí sabe do que fala e do que faz

entre os muros

Não existe nome mais apropriado para o filme. Estamos todos entre muros. Não há comunicação viável até agora. A sensação é de que tudo é vão. No filme "Entre os muros da escola" é esta a sensação que nos passa. Impotência. Tudo, tudo é vão. Como agir? Como nos comunicarmos? Qual é a finalidade de tudo?
A sala de aula é cruel para todos.
Quando a garota diz que leu Sócrates... que esperança
Quando a garota diz que não aprendeu nada... que enorme vazio... como as ações são vazias de sentido....

Um filme para todos e especialmente para educadores, pessoas que amam e pensam a Educação, para pais, para antopólogos,.... para gente...
O que está acontecendo!!!?????

terça-feira, 17 de março de 2009

TM



Há muito tempo morria de vontade de participar de um show do Teatro Mágico. No sábado passado, 14 de março, realizei este sonho.

Participar de um show do TM, não é apenas participar de um show, mas também participar do sonho do grupo, é participar da sua postura no mundo, como ser humano. É a verbalização de que estamos e somos no mundo de verdade!



Cacaso

Chega ao fim a série sobre a obra de cacaso no CCBB/Brasília. Os módulos III e IV foram os melhores.
O módulo III teve como convidados Zé Renato e o impagável poeta Geraldo Carneiro. Estivemos em Minas Gerais neste show. Muito belo, e Rosa Emília teve um crescimento inegável.
No módulo IV, o último da série, os convidados foram Nelson Ângelo e Chico Alvim. Show emocionante, neste módulo pode-se perceber o quanto a obra de Cacaso foi se tornando universal, o tom tornou-se menos regional, menos mineiro, menos carioca e mais Música e Poesia. Muito lindo e novamente Rosa Emília estava maravilhosa.
Os músicos M A R A V I L H O S O S!!!!!!!!! A cada show mais refinamento e virtuosismo. Todos inspiradíssimos, cúmplices nos lindos arranjos.

O CCBB está de parabéns por proporcionar arte deste porte.

segunda-feira, 9 de março de 2009

trechos belos

Veja que beleza estas contruções...estas passagens do livro A menina que roubava livros...:sei que estou sendo chata com estes trechos longos, mas é que são tão certos, próprios, com a palavra única que cabe... (antes uma pequena explicação: 2ª guerra mundial...nesta cena estão todos os moradores de uma rua de Munique em um porão de uma casa enquanto bombardeios assolam a cidade... a menina que roubava livros, que era adotiva de um casal, que o pai tocava acordeão, começa a ler um livro em voz alta em meio ao pesadelo do medo que atingia a todos:

"Quando ela virou a página dois, foi Rudy quem notou. Atentou diretamente para o que Liesel estava lendo e deu um tapinha no irmão e nas irmãs, dizendo-lhe para fazerem o mesmo. Hans Hubermann aproximou-se-se e convocou a todos e, em pouco tempo, uma quietude começou a escoar pelo porão apinhado. Na página três todos estavam calados, menos Liesel.A menina não se atreveu a levantar os olhos, mas sentiu os olhares assustados prenderem-se a ela, enquanto ia puxando as palavras e exalando-as. Uma voz tocava as notas dentro dela. Este é o seu acordeão, dizia." (que belo...)

A menina todos os dias levava pedaços do céu para o judeu escondido no porão...descrevia o céu para ele...em uma das vezes em que foram se refugiar no porão da casa vizinha... o judeu subiu e olhou o céu estrelado... quando estavam refugiados no porão a menina pensava no judeu...Max...:

"...também havia Max. Liesel lembrou-se de ter lido para ele quando o rapaz estivera doente. Será que ele está no porão?, pensou com seus botões. Ou estará roubando de novo um vislumbre do céu?
UMA IDÉIA BONITA
Uma roubava livros.O outro roubava o céu....." (que beleza....)

outras construções belas...poéticas:

"...Sua voz lembrava o suicídio, aterrissando com um baque aos pés de Liesel."

"...os rostos sofredores de homens e mulheres esgotados estendiam-se para eles, implorando não tanto ajuda - já haviam ultrapassado essa fase -, mas uma explicação. Apenas alguma coisa que diminuísse aquela perplexidade."

"...Vez por outra, um homem ou uma mulher - não, eles não eram homens e mulheres, eram judeus - encontravam o rosto de Liesel na multidão. Iam ao encontro dela, com sua derrota, e a menina que roubava livros só podia retribuir-lhes o olhar, num longo e incurável momento antes de eles tornarem a desaparecer...."

"Papai se espreguiçou, com os punhos cerrados e os oslhos arranhando para fechar, e a manhã não se atreveu a ser chuvosa. Os dois se puseram de pé, andaram até a cozinha e, através da neblina e dos critais de gelo na janela, puderam ver as faixas róseas de luz sobre as camadas de neve nos telhados da Rua Himmel.- Veja as cores - disse o pai.
É difícil não gostar de um homem que não apenas nota as cores, mas fala delas."(que lindo...)

"...o único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade. Ajuda-me a aguentar... (...) (lindo demais...parece que isto saiu dos meus olhos...)

certos livros me tomam... "O Físico"... e já há algum tempo "A menina que roubava livros"
...estou novamente tomada... completamente tomada....

UM POUCO DE MARLA DE QUEIROZ

Descobri uma poeta que me toca:

SUDOESTE

O que dói em você, pouco me importa.
Eu não cavei teus abismos de mim.
Fui teu abrigo, teu barco
e lua cheia iluminando o caminho.
Você escureceu nosso afeto,
minou nosso rio.
Pra eu ficar,
só precisava do seu toque-agasalho.
Você me deu esse punhado de frio.

Marla de Queiroz em Flores de Dentro


FLOR DE IR EMBORA

Ah, meu amor,
as coisas são como são.
Eu estava embriagada de chuva,
úmida de saudade
e você não veio.
Macerei aquelas flores que você me deu,
fiz o Banho do Esquecimento
e joguei no corpo
do pescoço pra baixo".

Porque temos jeitos diferentes
estragar as coisas...

Marla de Queiroz em Flores de Dentro

cacaso módulo II







08/03/2009 - Cacaso Módulo II - CCBB/Brasília




O show do módulo II sobre a obra de Cacaso enfatizou as parcerias dele com Sueli Costa, que teve seu momento junto ao público. Achei o show do módulo I mais interessante, mas ainda sim algumas músicas emocionaram como "Amambaí" e "Dentro de mim mora um anjo".


A participação de Carlito Azevedo falando poesias de Cacaso foi leve e ele fez considerações bem bacanas sobre o artista.
DENTRO DE MIM MORA UM ANJO - Sueli Costa e Cacaso
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que tem a boca pintada
Que tem as unhas pintadas
Que tem as asas pintadas
Que passa horas à fio
No espelho do toucador
Dentro de mim mora um anjo
Que me sufoca de amor
Dentro de mim mora um anjo
Montado sobre um cavalo
Que ele sangra de espora
Ele é meu lado de dentro
Eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que arrasta suas medalhas
E que batuca pandeiro
Que me prendeu em seus laços
Mas que é meu prisioneiro
Acho que é colombina
Acho que é bailarina
Acho que é brasileiro
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim




pois é, vizinha




Déborah Finocchiaro arrasa na peça "Pois é, vizinha" - a atriz tem uma inteligência aguçada, é rápida no texto, acerta o tom, trabalha o corpo com destreza, coloca o humor na dose certa. O palco e o cenário são utilizados com extrema inteligência.

A fuga de O Santo e a Porca, a corrida para este palco valeu cada centavo... fazia tempo que não me divertia tanto e me emocionava tanto em um mesmo momento... sensibilidade aguçada ... os sons, falas, gestos da peça ainda reverberam em mim...





Pois é, vizinha - Espaço Brasitelecom em 07/03/2009

Conheci o trabalho da atriz em outra peça por ela encenada por aqui no mesmo palco que assisti no dia 06/03/2009 chamada Sobre Anjos e Grilos - texto de Mário Quintana, roteiro, direção de Deborah Finocchiaro.... simplesmente fantástica, permeada pelo humor especialíssimo de Quintana, sua leveza e profundidade... o espaço cenográfico, o figurino e a inserção de mídias diversas no espetáculo me encantaram... isto... saí encantada pelos anjos que habitaram o teatro nesta noite única....






O santo e a porca

Na caixa cultural - O santo e a porca - texto de Ariano Suassuna - tudo um primor... mas sabe quando não te seduz???... estranho... a impaciência me assolou e... abandonei... abandonei o espetáculo.... tudo muito previsível... meu humor anda afiado como uma faca amolada... a graça não me tocou.
- O santo e a porca - caixa cultural brasília em 07/03/2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

CACASO

Show em homenagem à Cacaso e sua obra no CCBB - Bem pensado, ótimos músicos, cantores bem legais, convidados muito especiais... apenas o som ficou a desejar... mas mesmo assim valeu a pena, contudo, ainda o maior problema continua sendo o público... há que se frequentar mais eventos culturais, pois o exercício acaba por educar o público.

Módulo I - parceiras com Joyce e Ulisses Tavares

OBS.: Sérgio Santos e Paula Santoro arrasam....

EU TE AMO - Cacaso e Sueli Costa

Seu amor me furta
Seu horror me encanta
Minha vida é curta
Minha fome é tanta
Minha carne é fraca
Minha paz é louca
Minha é dor farta
Minha parte é pouca
Minha cova é rasa
Meu lamento é mudo
Seu amor me arrasa
Sua ausência é tudo
Minha sorte é cega
Sua luz me esconde
Minha morte é certa
Meu lugar é onde
Seu carinho é pena
Seu amor é mando
Minha falta é plena
Minha vez é quando
Eu te amo
Eu te amo...

quinta-feira, 5 de março de 2009

gnatalli - villa lobos

Em uma noite agradável, depois de um dia muiiittto corrido, ouvir gnatalli e villa lobos com o quarteto de cordas radamés gnatalli foi tudo de bom....
Caixa Cultural em 04/03/2009.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Suíte 1

Cia de Teatro de Curitiba apresentou a peça "Suíte 1" no espaço da Caixa Cultural... muito bom, cumplicidade no palco, um texto interessante, as falas repetidas que levam a questionamentos, à introspecção, ótimos atores, um momento diferente.

TANGO

Orquestra de tango Fernandez Fierro... muita gente, evento concorrido... som alto demais e um final meio suspeito... Os caras são bons e tem estilo, mas... quase sempre há um "mas" - tango já é música forte,não havia necessidade de um som naquela altura -Caixa Cultural em 28/02 - Brasília.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

uma tarde no cinema

Levei crianças para assistir Um Hotel Bom pra Cachorro... que delícia... até dá vontade de adotar uns cachorrinhos....

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

4 filmes



O Leitor - belo, feito de silêncios... como as entrelinhas preenchidas por um leitor...

Revolution Road - incomodativo, feito de silêncios... de coisas que não nos permitimos enxergar dentro de nós...

Milk - triste e esperançoso, feito de silêncios... depois da palavra forte.

Vicky Cristina Barcelona - irônico, feito de silêncios... depois de escolhas possíveis e que nos permitimos fazer.




o trecho



"(...) E viver a escrita das coisas. Não as coisas
Que não me cabem. Coisas e pessoas não me cabem
E sem cabimento me atravessam.
Pessoas passam depressa demais entre meus poros. E vão.
Eu tenho uma imagem presa na garganta.
Ser gente me arranha. Quero voltar a ser palavra"

viviane mosé in Pensamento Chão, 2007, Editora Record


quando leio poesia o todo me enleva, mas...,
às vezes,
uma palavra, um corte, um verso...,
um trecho me arrebata,
bate em mim como um soco,(...)
daqueles inesperados,(...)
atordoantes...
mais por serem surpreendentes do que pela dor que causam(...)
como o frio que fica na gente quando o medo passa por nossa alma antes que consigamos segurá-lo.
A imagem criada em mim pelo trecho acima é esta.
O inesperado que vem, passa, nos atordoa sem que consigamos segurá-lo dentro de nós...
a sensação de que a incompletude faz parte destas invasões transgressoras que nos atravessam antes que consigamos pressenti-las, consenti-las ou entendê-las.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

pensamento do bem

Tenha sempre bons pensamentos, porque eles se transformam em suas palavras. Tenha boas palavras, porque elas se transformam em suas ações. Tenha boas ações porque elas se transformam em seus hábitos. Tenha bons hábitos porque eles se transformam em seus valores. Tenha bons valores porque eles se transformam no seu destino. (Gandhi)