terça-feira, 15 de setembro de 2009

VIAGENS

VIAGENS 2

Viajávamos para as missões. Ao chegar, a visão daquela igreja tão aos pedaços e imponente me causava estranhamento. Um lugar de índios. A igreja, apesar de estar, de fazer parte daquele lugar, era de um deslocamento lógico no painel paisagístico. Mas os índios... Eles me espiavam das sombras das paredes aos pedaços, eu sentia suas almas solenes a me espiarem nos cantos das pesadas e grossas paredes de pedras. A igreja tinha que estar lá. Para preservar suas almas, afinal elas já tinham sido por demais expostas. Eu sentia. Eu os via com meus olhos de alma. Eu sabia por que eu também era índia. Eu também era dali. Eu sabia do mistério e do segredo. Eu era. Mar de dentro. Planalto gaúcho. Terra de pêlo duro, terra de bugre. Eu era. Era filha daquela terra onde as almas dos índios espiavam nas esquinas das paredes. Eu não tinha medo.