Viajávamos para a família. Não era deles. Nunca fui. Era da solidão. Do silêncio. Não entendia as relações. Não me identificava. Chegava e observava todo aquele movimento, aquele barulho emocional. O pai esbravejante, a mãe cheia de movimentos. Os filhos tão ligados entre si. Era tudo tão pra fora. Tão mostrado. Eu não. Ao mesmo tempo em que o diferente me chamava a atenção, me aturdia. Eu era pra dentro. Era de dentro. O som, o barulho, a fala é tão sua, vem tão lá de dentro que não pode ser desperdiçada. O avô silencioso chamava minha atenção. Ele ouvia tudo e quase não falava. Só os olhinhos. Espertos, tinham um brilho de quem sabe muito, mas não revelam nada. Ele me impressionava. Ele sabia viver. Levava a vida pra dentro de si. Um meio sorriso de quem debocha da falta do silêncio, do barulho, das vozes que não escutam, não escutam o som. O som da vida que acontece dentro da gente. Ele também não tinha medo. Então, eu gostava quando voltava pra casa.