VIAGENS 1
Viajava, e não gostava quando chegava ao mar. Até hoje sou assim. A sensação é de desamparo. Antes de ver o mar, seu cheiro já me oprimia. Aquela alegria que arrebata a todos quando enxergam o mar, a praia, nunca chegou a mim. Alegria de verão. Não a tive. Eu era uma freqüentadora assídua do mar nos verões. Mas me dava
um desamparo, um aperto no peito. Não era meu lugar. O caminho da viagem. Este sim acalentava meu coração. O mar verde da soja. O mar de ouro do trigo. As grutas cavadas na Serra do Rio das Antas. Todas. Todas exerciam um fascínio sobre mim. Com suas santas de olhares tão melancólicos, as águas a escorrerem pelas paredes, como se a montanha chorasse de emoção, na penumbra, no silêncio das gotas de água abençoada. A devoção dos viajantes. Esta me emocionava. O mar da fé. Os mares de dentro. Estes são os meus.
um desamparo, um aperto no peito. Não era meu lugar. O caminho da viagem. Este sim acalentava meu coração. O mar verde da soja. O mar de ouro do trigo. As grutas cavadas na Serra do Rio das Antas. Todas. Todas exerciam um fascínio sobre mim. Com suas santas de olhares tão melancólicos, as águas a escorrerem pelas paredes, como se a montanha chorasse de emoção, na penumbra, no silêncio das gotas de água abençoada. A devoção dos viajantes. Esta me emocionava. O mar da fé. Os mares de dentro. Estes são os meus.