terça-feira, 15 de setembro de 2009

REZA

Sou uma rezadeira. Uma rezadeira que ainda não descobriu sua reza. Conheci várias. Muitas. Minha mãe sempre me levou a rezadeiras. Elas detêm o mistério. O mistério da fé. Por que elas acreditam. Não são místicas. É outra coisa. Coisa diferente. Elas rezam porque sabem. Funciona porque acreditam. Simples. Sabem. Acreditam. As palavras murmuradas, rápidas, a conversa com o mistério, com o santificado, numa prosa íntima, sem intermediários. Um dia soube que publicaram um livro, pequenino, que tinha uma coletânea das rezas das rezadeiras do Brasil. Eu o desejei. Procurei. Pesquisei. Ainda não o encontrei. Mas sei que as tenho, as rezas, latentes, dentro de mim. Tenho uma velha rezadeira, benzedeira, em mim que olha e enxerga as mazelas, e as cura por que sabe. Já me vi velhinha, forte, rezando, os olhos que enxergam além. E que sabe o mistério porque acredita.