Uma vez me vi. Eu era um velho. Tinha os cabelos longos. Barba. Corpo forte. O vento frio passava por mim lá no alto do rochedo. Era sozinho. E uma infinita tristeza estava comigo. Mas estava em paz. Eu era um velho que tinha vivido muitas coisas, tinha visto muitas coisas. Por isto a tristeza. Eu sabia que ainda tinha muito por vir. E já estava cansado. Eu olhava. O nada. O que ainda não aconteceu, mas que já aconteceu tantas vezes. Eu era de outras terras. Longe. Eu não pertencia a nada, a nenhum lugar. Eu sabia que eu viajava. Viajava pela vida que era. Eu tenho o velho aqui dentro. Meus olhos são os olhos dele que já viram muito. Mas ainda me estarreço, como também ainda me deslumbro. Sempre fui a menina antiga, mas sou também o velho que permanece novo. Viagens.