segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
o trecho
"(...) E viver a escrita das coisas. Não as coisas
Que não me cabem. Coisas e pessoas não me cabem
E sem cabimento me atravessam.
Pessoas passam depressa demais entre meus poros. E vão.
Eu tenho uma imagem presa na garganta.
Ser gente me arranha. Quero voltar a ser palavra"
viviane mosé in Pensamento Chão, 2007, Editora Record
quando leio poesia o todo me enleva, mas...,
às vezes,
uma palavra, um corte, um verso...,
um trecho me arrebata,
bate em mim como um soco,(...)
daqueles inesperados,(...)
atordoantes...
mais por serem surpreendentes do que pela dor que causam(...)
como o frio que fica na gente quando o medo passa por nossa alma antes que consigamos segurá-lo.
A imagem criada em mim pelo trecho acima é esta.
O inesperado que vem, passa, nos atordoa sem que consigamos segurá-lo dentro de nós...
a sensação de que a incompletude faz parte destas invasões transgressoras que nos atravessam antes que consigamos pressenti-las, consenti-las ou entendê-las.