segunda-feira, 9 de março de 2009

trechos belos

Veja que beleza estas contruções...estas passagens do livro A menina que roubava livros...:sei que estou sendo chata com estes trechos longos, mas é que são tão certos, próprios, com a palavra única que cabe... (antes uma pequena explicação: 2ª guerra mundial...nesta cena estão todos os moradores de uma rua de Munique em um porão de uma casa enquanto bombardeios assolam a cidade... a menina que roubava livros, que era adotiva de um casal, que o pai tocava acordeão, começa a ler um livro em voz alta em meio ao pesadelo do medo que atingia a todos:

"Quando ela virou a página dois, foi Rudy quem notou. Atentou diretamente para o que Liesel estava lendo e deu um tapinha no irmão e nas irmãs, dizendo-lhe para fazerem o mesmo. Hans Hubermann aproximou-se-se e convocou a todos e, em pouco tempo, uma quietude começou a escoar pelo porão apinhado. Na página três todos estavam calados, menos Liesel.A menina não se atreveu a levantar os olhos, mas sentiu os olhares assustados prenderem-se a ela, enquanto ia puxando as palavras e exalando-as. Uma voz tocava as notas dentro dela. Este é o seu acordeão, dizia." (que belo...)

A menina todos os dias levava pedaços do céu para o judeu escondido no porão...descrevia o céu para ele...em uma das vezes em que foram se refugiar no porão da casa vizinha... o judeu subiu e olhou o céu estrelado... quando estavam refugiados no porão a menina pensava no judeu...Max...:

"...também havia Max. Liesel lembrou-se de ter lido para ele quando o rapaz estivera doente. Será que ele está no porão?, pensou com seus botões. Ou estará roubando de novo um vislumbre do céu?
UMA IDÉIA BONITA
Uma roubava livros.O outro roubava o céu....." (que beleza....)

outras construções belas...poéticas:

"...Sua voz lembrava o suicídio, aterrissando com um baque aos pés de Liesel."

"...os rostos sofredores de homens e mulheres esgotados estendiam-se para eles, implorando não tanto ajuda - já haviam ultrapassado essa fase -, mas uma explicação. Apenas alguma coisa que diminuísse aquela perplexidade."

"...Vez por outra, um homem ou uma mulher - não, eles não eram homens e mulheres, eram judeus - encontravam o rosto de Liesel na multidão. Iam ao encontro dela, com sua derrota, e a menina que roubava livros só podia retribuir-lhes o olhar, num longo e incurável momento antes de eles tornarem a desaparecer...."

"Papai se espreguiçou, com os punhos cerrados e os oslhos arranhando para fechar, e a manhã não se atreveu a ser chuvosa. Os dois se puseram de pé, andaram até a cozinha e, através da neblina e dos critais de gelo na janela, puderam ver as faixas róseas de luz sobre as camadas de neve nos telhados da Rua Himmel.- Veja as cores - disse o pai.
É difícil não gostar de um homem que não apenas nota as cores, mas fala delas."(que lindo...)

"...o único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade. Ajuda-me a aguentar... (...) (lindo demais...parece que isto saiu dos meus olhos...)

certos livros me tomam... "O Físico"... e já há algum tempo "A menina que roubava livros"
...estou novamente tomada... completamente tomada....