segunda-feira, 17 de novembro de 2008

café com queijo

Na quinta-feira última, dia 13/11, e ontem dia 16/11 fui assistir às peças do grupo Lume de teatro "O que seria de nós sem as coisas que não existem" e "Café com queijo".


A excelência do grupo já ficou evidente na primeira peça "O que seria...", mas em "Café com queijo" ...saí emocionada. É simplesmente impressionante a atuação dos quatro atores. O trabalho corporal, o trabalho vocal, o olhar, trejeitos, a emoção meticulosamente dosada. A peça é lindíssima, delicada, engraçada, mexe com a gente, pois traz à memória nossas raízes, a fala e o universo poético e humano, que pessoas, que vivem no interior do país, expressam através de suas vidas contadas, cantadas e encantadas. É lindo e nostálgico.




Cena de Café com Queijo - Grupo Lume de Teatro

Ainda vou assistir a mais duas peças do grupo nesta semana: "O Não-Lugar de Ágada Tchainik" e "Shi-Zem: 7 Cuias". Estou na maior expectativa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Tirando os sapatos

Hoje pela manhã acabei de ler "Tirando os sapatos" de Nilton Bonder.

De cara o livro me fez reportar à minha última leitura de "O Físico". Talvez por "Tirando os sapatos" se tratar do relato de uma peregrinação da qual Bonder fez parte no caminho que Abraão percorreu. Enfim, um relato imerso no universo judeu, islâmico, muçulmano e ocidental, também -( por que não?), presente também no outro livro que tanto mexeu comigo.

Contudo, é mais do que isso.

Os dois livros tratam da questão da identidade. Quem somos no mundo e qual a significação disso na vida. Mais... O quanto estes fundamentos são importantes e essenciais, mas também o quanto não devemos deixar que se tornem fundamentalistas. Na nossa viagem pela vida os fundamentos fazem com que não nos percamos de nós mesmos, mas não devemos nos tornar fundamentalistas para podermos interagir com o outro, exercitar as escutas tão necessárias, aprender com o outro, sermos, como Bonder diz anfitriões e hóspedes, numa troca incessante nesta experiência única que é viver.
Na ficção Jesse ben Benjamin/Robert de O Físico pratica essa liberdade ao longo de sua vida para conseguir o seu intento de se formar médico para saber como ajudar o outro, nesta busca , até mesmo para sobreviver, aprende e vive outras culturas e a vida se lhe impõem a escuta e o olhar de peregrino.
Na vida real Bonder deliberadamente torna-se peregrino e tira os sapatos para pisar no solo sagrado do próprio coração onde está Deus, e assim abre os olhos e escuta o outro.
Esta é a maior viagem, o caminho de todos os peregrinos... continuar sendo quem somos e ao mesmo tempo não ser, ser o outro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Físico

Hoje acabei de ler "O Físico" de Noah Gordon.
Uma peregrinação por 592 páginas que, confesso, ainda mexe com as bagagens que levei no caminho. Ainda estou remoendo esta história que li em 4 dias. Não vou relê-lo, mas certamente é um livro inesquecível para mim. Talvez por ser a história de um homem que viveu experiências magníficas em lugares tão diferentes entre si e acabou descobrindo a si mesmo quando aceitou sua essência. É também uma história de perseverança, de privações e de abundâncias. E de paz. Estou apaixonada pela história e com as possibilidades internas que abriu em mim, que ainda não sei direito quais são ou especificamente quais "bagagens" foram perdidas, deixadas para trás ou customizadas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

aniversário

Adriana Falcão definiu "carinho", em seu Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento - Ed. Planeta, como "Presente enviado pelo coração cujo portador pode ser mão, boca, gesto ou palavra."

Hoje é aniversário de uma grande amiga, Márcia. Para ela envio meu carinho através de Fernando Pessoa:

"De tudo ficam três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro..."

domingo, 2 de novembro de 2008

tudo novo de novo



Hoje é domingo... primeiro dia da semana... e tudo é novo de novo... academia, regime, férias que terminam, filhos que convocam, compras, mercado, saldo no banco, família, roupas que (ainda) não servem, televisão, trânsito, calor.... e entre os atos que me tiram o norte, a palavra, o céu - azul - estrelado ou profundamente negro -, as cores do mundo, os olhos, os gestos, o movimento, o cheio e o vazio, a música que em tudo há, o traço, o silêncio - poesia... que me salva.