quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

?...?

Nem sei o que está acontecendo... só sei que doi... alguma coisa tá quebrada aqui dentro... sei que não há motivo.. quem olha diz: "tá tudo certo"... eu olho e digo: "tá tudo certo", mas... eu olho e não sou eu... eu sei que não sou eu... e isto doi... não há o que fazer.. agora não... é depressão??? não. esta seria a saída mais fácil... e eu sou lúcida o suficiente pra saber que não é depressão... é que não sou eu... esta não sou eu... e me ver por debaixo de tudo é... como abdicar de mim mesma e nem sempre é fácil... ninguém sabe mas se conhecessem "ela" a que tem vontade de mandar tudo pra longe, de ir.. só ir..."ela" a de quem me orgulho... a que me mantém firme, forte... "ela" a que me faz ser reta e "louca"... "ela" a que não me deixa morrer, a que está nas profundezas, a que tem outras vidas e me faz sobreviver....

Não adianta me enganar "ela" tá me rasgando por dentro, "ela" quer sair, mas eu sei que tudo vai cair se "ela" vier. Por favor, por favor me esqueça... deixe-me a sós por um momento.. não consigo olhar os outros ... não consigo me olhar... pois eu sei, eu sei de tudo o que se passa... a vida me deixou.. eu olho tudo como um expectador e ao mesmo tempo tudo se passa dentro de mim de uma vez só e eu vejo tudo de dentro e de fora... seria tudo tão... fácil se eu me entregasse às expressões de um jeito extremo e egoísta... mas eu sou egoísta e prepotente em guardar, me guardar... covarde... mimada... infantil... eu me traio diariamente... sacrifício... não: medo.
Nada... nada... não foi nada... passou... e agora? levar a vida... eu calo e sigo me apagando... apagando meus rastros... apagando minhas marcas... não tendo significado nem pra mim... mas e as minhas crianças... elas não merecem... eu ainda sou o mundo delas... o que elas serão com uma referência assim... o que eu sou enfim... a minha marca afinal é qual?
Tenho vontade de fincar as garras, os dentes afiados e sangrar e fazer sangrar... ser importante pra alguém, eu mesma... eu mesma.... há uma música louca, arrebatadora que ruge e me toma, ensandece, me leva, toma meu corpo e o torna insensível a tudo, ao toque, às palavras, às imagens, menos aos meus delírios, eles seguem me arrastando por dentre os meus fracassos... eu desisto de lutar antes de me lançar.... tudo o que eu quero é o silêncio