Hoje pela manhã acabei de ler "Tirando os sapatos" de Nilton Bonder.
De cara o livro me fez reportar à minha última leitura de "O Físico". Talvez por "Tirando os sapatos" se tratar do relato de uma peregrinação da qual Bonder fez parte no caminho que Abraão percorreu. Enfim, um relato imerso no universo judeu, islâmico, muçulmano e ocidental, também -( por que não?), presente também no outro livro que tanto mexeu comigo.
Contudo, é mais do que isso.
Os dois livros tratam da questão da identidade. Quem somos no mundo e qual a significação disso na vida. Mais... O quanto estes fundamentos são importantes e essenciais, mas também o quanto não devemos deixar que se tornem fundamentalistas. Na nossa viagem pela vida os fundamentos fazem com que não nos percamos de nós mesmos, mas não devemos nos tornar fundamentalistas para podermos interagir com o outro, exercitar as escutas tão necessárias, aprender com o outro, sermos, como Bonder diz anfitriões e hóspedes, numa troca incessante nesta experiência única que é viver.
Na ficção Jesse ben Benjamin/Robert de O Físico pratica essa liberdade ao longo de sua vida para conseguir o seu intento de se formar médico para saber como ajudar o outro, nesta busca , até mesmo para sobreviver, aprende e vive outras culturas e a vida se lhe impõem a escuta e o olhar de peregrino.
Na vida real Bonder deliberadamente torna-se peregrino e tira os sapatos para pisar no solo sagrado do próprio coração onde está Deus, e assim abre os olhos e escuta o outro.
Esta é a maior viagem, o caminho de todos os peregrinos... continuar sendo quem somos e ao mesmo tempo não ser, ser o outro.